ARTELOGIE IX
(JUIN 2016)
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Arte e gênero :
mulheres criadoras na América Latina




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Direção científica : Ana Paula Cavalcanti Simioni (professora IEB/USP-Brasil) ; Maira Ishtar de Luca (doutoranda, Efisal/CRAL-EHESS- França) e Deborah Dorotinsly (Pesquisadora IIE/UNAM- Mexico)


Pour citer l'article:

, « Arte e gênero :
mulheres criadoras na América Latina », in Appel à contribution N° 5 .
(c) Artelogie, n° , 2013.

URL: http://cral.in2p3.fr/artelogie/spip.php?article192

O presente dossiê propõe, de um lado, examinar os cruzamentos possíveis entre a criação artística e as relações de gênero, e, de outro lado, as relações que os estudos de gênero estabelecem com a territorialidade. Pretende-se ainda, fomentar um dialogo entre pesquisadores especialistas em América Latina.

Desde a publicação do célebre ensaio de Linda Nochlin intitulado « Why there have been no great women artists ? », em 1971, pode-se afirmar que a presença diminuta das mulheres na história da arte tornou-se um problema de investigação bastante fecundo, capaz de renover metodologicamente o próprio campo disciplinar em que se insere. Isso porque o estudo das mulheres artistas exige um empreendimento complexo, de um lado, trata-se de recuperar trajetórias esquecidas, obliteradas ou subvalorizadas, empreendendo verdadeiras atividades de « garimpagem » em arquivos, coleções e muses. Mas tal esforço primeiro, só encontra sentido quando traz consigo uma crítica da historiografia, ou seja, do modo com que a disciplina história da arte, seus relatos, discursos, escolhas, presenças e omissões, bem como das práticas sociais a ela atreladas, como as escolhas curatoriais, expográficas e a formação das coleções, são atravessadas pelas clivagens de gênero (Pollock, 1994 ; Dumont et Sofio, 2007). Hoje é possível reconhecer que os estudos sobre arte e gênero no campo da história, das ciências sociais, e da própria história da arte gozam de grande legitimidade em alguns países, como nos Estados Unidos, na Inglaterra, Austrália e também na França, países que congregam vasta produção intelectual sobre o tema e ainda práticas institucionais que se alicerçam sobre tais reflexões, ao mesmo tempo em que as fomentam. O mesmo não se pode dizer no que diz respeito à América Latina, os estudos sobre mulheres artistas são ainda pontuais, resultantes de esforços individuais, não tendo ainda se constituído uma rede, ou grupos de trabalho específicos sobre a questão.

Nesse sentido, a proposta de um dossiê sobre o tema das mulheres criadoras, notadamente no campo das artes visuais, compreendendo pintura, escultura, desenho, arquitetura, design, decoração, moda etc. será uma ocasião privilegiada de reunir estudos de pesquisadoras (es) da América Latina sobre o tema. O dossiê tem potencial de se tornar um ponto de referência para todos os estudiosos interessados nas presenças, ausências e condições de formação e de recepção das mulheres artistas/ criadoras na América Latina, constituindo mesmo um pré-requisito para futuros estudos comparativos.

Nesse sentido, o dossiê propõe a convergência entre os estudos de arte e gênero e as teorias pós-coloniais, na medida em que esses últimos contribuem de maneira decisiva para a crítica política dos sujeitos universais, atores predominantes das narrativas tradicionais em história da arte, usualmente centradas no mito dos artistas geniais, solitários e transgressores, os quais supõe um sujeito masculino e branco (Griselda Pollock, Tamar Garb). Ao apontarem a desigualdade institucional de formação que historicamente condicionou a produção e a recepção das trajetórias das mulheres artistas (Nochlin, Tamar Garb, etc) ; ou o modo com que as modalidades artísticas usualmente vistas como femininas são socialmente desvalorizadas (Pierre Bourdieu, Norman Broude, T´Ai Smith, Singrid Weltged etc) ; ou ainda o quanto os mitos que nutrem as categorias acionadas pelos críticos de arte, mesmo aquelas vistas como mais « puramente formais » é eivada de clivagens de gênero ( Griselda Pollock, Carol Duncan, Norman Broude, Miriam Shapiro etc), os estudos feministas trouxeram críticas assertivas aos pressupostos sexistas que perpassam as categorias sobre as quais se fundam as escolhas, os julgamentos e os valores na história da arte canônica. Se tais intervenções, como denomina G. Pollock, obrigaram a história da arte a explicitar, e com isso questionar, seus paradigmas supostamente universais, os estudos pós-coloniais trouxeram uma nova questão crucial : a de que o sujeito do feminismo, ainda que critico do sujeito universal masculino, representa apenas mulheres, brancas e de elite.

Refletir sobre a atuação das mulheres artistas de regiões não centrais, como os países latino-americanos, possibilita-nos ainda uma série de deslocamentos : como pensar um sujeito feminino (ou feminista ?) a luz de situações nacionais marcadamente multi-etnicas, posto que trata-se de países perpassados pela questão da miscigenação, das imigrações e, portanto, da multi-racialidade ? De que modo tais criadoras vivenciam situações de intersecção entre gêneros, nacionalidade, territorialidades que perpassam suas produções culturais, em contextos historicamente situados no interior de realidades nacionais particulares ? São tais questões que o presente dossiê se propõe a debater. Outrossim, visando permitir um diálogo com realidades de países territorialmente distantes mas que também passaram por experiências coloniais e pós-coloniais, o dossiê pretende deixar em aberto a possibilidade de artigos que abordem a produção feminina e o espaço social das mulheres criadoras em países outros, não exclusivamente latino americanos, embora estes devam ser preferenciais. Em suma,propõem-se aqui possíveis narrativas para refletir no cruzamento de duas categorias subvalorizadas, a da mulher e a dos criadores do “sul”, quando essa produção é feita por mulheres oriundas dos países dominados, na passado colonial ou na época contemporânea quando foi e è em ato novas relações de dominação, econômica política e enfim cultural.

O dossiê pretende, assim, congregar artigos que discutam os seguintes temas (indicativos) :

1. Espaços de formação, de recepção e de consagração de mulheres artistas/criadoras em condições coloniais e pós-coloniais : estudos que problematizem as condições de formação artística (ateliês, irmandades, academias, cursos particulares, universidades), de recepção (crítica de arte, público especializado, público amplo etc) e de consagração (prêmios obtidos, bolsas de viagem para o exterior, postos de relevo no mundo das artes etc) que as mulheres artistas obtiveram em países não centrais, especialmente, latino americanos ao longo dos séculos XVI ao XX ; 2. As mulheres artistas nas histórias da arte nacionais. Artigos que analisem criticamente o lugar que as artistas e criadoras ocupam nas narrativas historiográficas, como aquelas edificadas para a construção de histórias das artes nacionais ; 3. Produção artística, gênero e migrações. A criação artística é realizada não apenas num contexto compartilhado de referencias e relações impessoais, mas também ancoradas em espaços sociais e urbanos específicos, em momentos históricos precisosNesse sentido, são bem vindos textos que analisem a relaçao entre as práticas artísticas femininas e os lugares geográficos e sociais em que se inserem ; 4. Criações de mulheres ou « artes femininas » ? : textos que abordem o modo com que as produções artísticas realizadas por mulheres são julgadas historicamente, nesse sentido, é interessante pensar como certas práticas, certos objetos e certas técnicas (cultura material) podem ser valorizados ou desvalorizados socialmente a partir do prisma das relações de gênero ; 5. Mulheres artistas e feminismo na América Latina : artigos que abordem a produção de artistas e criadores a luz do impacto que as teorias feministas provocaram nos campos artísticos a partir dos anos de 1960 ; 6. Mulheres, musas e imaginários : artigos que analisem o modo com que as artistas e criadoras foram imaginadas, representadas, retratadas, pintadas, esculpidas, caricaturadas, simbolizadas através do tempo.

Outros temas que não foram explicitamente mencioados mas dialoguem com os pressupostos do dossiê poderão ser analisados pela comissão científica. Os artigos podem ser enviados em francês, espanhol, português ou inglês. Deve-se seguir as regras estabelecidas pela revista, acessíveis no site : http://cral.in2p3.fr/artelogie/spip…

Os resumos das propostas (até uma página= 1700 caracteres com espaços) devem ser enviados às organizadoras por email, antes de 30/02/2013 nos seguintes endereços : ana.simioni@hotmail.com ; deborah.dorotinsky@gmail.com ; mairaishtar@gmail.com O comitê científico responderá até 30/3/2013. Em caso de aprovação, o artigo completo deve ser enviado até 30/06/2013

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