ARTELOGIE IX
(JUIN 2016)
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Chamada para contribuição – Revue Artelogie n. 10 : Depois da paisagem : arte, inscrição e representação da natureza na América Latina hoje

Maria Marcondes, Carlos Terra, Catalina Valdés et Jacques Leenhardt

Maria Marcondes (UNICAMP-Instituto de Artes), Carlos Terra (directeur da Escola de Belas Artes da UFRJ), Catalina Valdés (Universidad Nacional de San Martin-IDAES) et Jacques Leenhardt (EHESS)




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Data limite para entrega dos artigos : 20 /10/ 2016


Pour citer l'article:

Maria Marcondes, Carlos Terra, Catalina Valdés et Jacques Leenhardt, « Chamada para contribuição – Revue Artelogie n. 10 : Depois da paisagem : arte, inscrição e representação da natureza na América Latina hoje », in Appel à contribution N° 10 .
(c) Artelogie, n° , 2016.

URL: http://cral.in2p3.fr/artelogie/spip.php?article441

As representações artísticas da natureza na América Latina revelam uma construção cultural matizada pelos processos de colonização europeia do continente desde o século XV e por sua posterior formalização como estados modernos, desde o começo do século XIX. As imagens de lugares naturais e culturais produzidas neste período, que se valeram tanto da pintura de paisagem como de outras formas de representação, são reflexo de experiências direta ou outorgadas de artistas, principalmente estrangeiros, que contribuíram para criar um imaginário determinado pelo exótico, o exuberante, o sublime ou o pitoresco. A partir da apropriação de modelos estéticos de tradição europeia, as imagens da natureza americana entraram em tensão, diálogo ou combinação com a cultura material e imaterial local. Assim configuram padrões epistemológicos (estéticos e científicos) de apropriação da realidade específica da região.

Desde uma posição crítica pós-colonial tem surgido nos últimos anos obras de arte e estudos de reinscrição histórica que nos revelam a função colonizadora que podem assumir as representações visuais da natureza americana produzidas por (e em princípio , também, para) a mirada europeia . A citada revisão crítica , ao mesmo tempo, tem detectado os deslocamentos e interferências estéticas, que o encontro entre Europa e América desencadeou em ambos os sentidos, transformando, de um modo determinante, a relação dos sujeitos com o entorno natural.

Para este marco destacado dos estudos sobre a história da arte latino-americana, a pintura da paisagem do século XIX, constitui-se em um dos artefatos que melhor permite revisar as funções da imagem nos processos de formação das identidades nacionais. Esta perspectiva não perde de vista, as questões contingentes que a paisagem coloca, como gênero pictórico e como manifestação de um processo mais amplo que induziu a imaginários e territórios aos cânones da modernidade.

Em outros termos a pintura da paisagem diversificou os modos de abordar a representação de lugares, ocupando frequentemente um notável papel nos processos de formação de identidades nacionais, mas também levantando questões contingentes por meio de um olhar contemporâneo e crítico [1].

Até o final do século XIX e começo do XX, escritores e os artistas locais se aproximaram da paisagem experimentando novas figuras retóricas, formas e estilos ; recorrendo a abstração, a materialidades e técnicas não convencionais. Por meio de imagens com um recorte político, reafirmaram uma identidade latino-americana desde uma visão renovada das noções de nacionalismo, indianismo ou latino-americanismo. Nelas, a natureza parece ocupar a função de matéria-prima, garantia da utopia modernizadora. A paisagem serviu, também para expressar emoções íntimas, dimensões subjetivas do onírico, aproximações simbólicas ou míticas do real, sendo a natureza um imenso repositório de metáforas e formas que conecta a criação artística com buscas nas dimensões do inconsciente , do atávico ou do espiritual, em alguns países da América Latina.

Hoje, devido a contingência de uma natureza ameaçada - e ameaçante – cabe indagar sobre a relativização da distinção entre o humano e o natural e entre a oposição global e local ; distinções essas que sustentavam a ordem moderna. Tanto o relato das mudanças climáticas - cujas causas e efeitos se expandem à nível mundial - como o desenvolvimento recente de teorias sociais e científicas que apagam os limites entre natureza e cultura, exigem da arte contemporânea latino-americana ( e das leituras contemporâneas da arte ) uma revisão de suas próprias condições geopolíticas, o que implica uma reconceituação da noção mesma de paisagem [2].

O décimo número da Revue Artelogie se propõe como uma plataforma para o ensaio de uma cartografia – instável , provisória e atenta aos deslocamentos ( de artistas, de imagens , de ideias ) – que descreva paisagens fora dos limites de nação e de uma visão intocada da natureza. Com este propósito convoca pesquisadores, artistas e gestores das diversas disciplinas vinculadas à produção da paisagem à apresentarem suas colaborações em torno dos seguintes subtemas :

1. Argumentos, contornos e limites de uma reflexão sobre a paisagem americana desde uma aproximação pós-colonial

  • Estudo dos mecanismos de apropriação de modelos artísticos de origem europeia vinculados à construção da paisagem , que derivam de códigos de construção visual e identitária da América Latina na atualidade.
  • Historiografia crítica dos relatos em torno de representações da natureza latino-americana (expedições naturalistas, pintores viajantes, paisagens nacionais, o sublime americano , aproximação pintoresca de populações tradicionais , antropologia visual etc )

2. Depois da paisagem : novos conceitos possíveis para uma estética e uma política da natureza em crise

  • Cartografia de artistas , investigadores e gestores da paisagem da América Latina atentos à consciência ecológica relativas às mudanças climáticas, as chamadas catástrofes ambientais ou, dito de outra maneira supostamente objetiva, o processo de antropização que descreve nossa contemporaneidade .
  • A análise da potência estética e heurística da imagem que aborda territórios pós-naturais (ruínas industriais e ambientais) ; paisagens heterotópicas, o pintoresco e o sublime revisitado pela visualidade contemporânea etc.

3. Identidade, nacionalidade, latino-americanidade “e/ou americanidade na paisagem

  • Existem modos de inscrever e representar a paisagem fora dos marcos da concepção moderna de natureza, nação e identidade ?
  • É possível reconhecer especificidades latino-americanas (ou nacionais latino-americanas) em obras que abordam a natureza local ? O que permanece de local nessas naturezas .
  • Que outras identidades emergem na representação da natureza ?

4. Conhecimento, representação e natureza

  • Abordagem transdisciplinar e crítica de paisagens domesticadas ( ou deslocadas ) por uma gestão antrópica da natureza na América Latina .
  • Estudo de práticas artísticas, antropológicas e / ou históricas em torno das relações entre natureza e cultura em sociedades indígenas da América Latina.
  • Vínculos teóricos , artísticos e rituais das sociedades indígenas com / como instituições e agentes de uma paisagem pós-colonial
  • A natureza latino-americana vista e imaginada desde a tecnologia e a ciência.

info notes

[1] Amostra destes estudos são as várias exposições e publicações que constituem-se em antecedentes para esta Convocatória. Um caso notável por seu alcance continental é o catálogo da exposição “Picturing the Americas. Landscape painting from Tierra del Fuego to the Artics”, com curadoria de Peter John Brownlee de Terra Foundation, Valéria Piccoli da Pinacoteca do Estado de São Paulo e Georgiana Uhlyarik da Art Gallery de Ontario ; inaugurada em Toronto no contexto dos Jogos Pan-americanos( julho-agosto 2015 ) e, durante o ano de 2016 realizará uma itinerância pelo continente.

[2] Consideramos uma referência, neste sentido, a XXXII edição da Bienal de São Paulo, que sob o título

Incerteza Viva, conclama a reflexão das condições de instabilidade e de deslocamento que caracterizam o habitar contemporâneo.

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